sexta-feira, 15 de junho de 2012

1,76 m


Tanto tempo pedindo um par de asas, e só agora me dei conta:

Se Deus me fez alta, foi para me permitir ter a cabeça nas nuvens
sem que fosse preciso tirar os pés do chão.

domingo, 10 de junho de 2012

Turbilhão



Não espere constância seu moço, que eu posso decepcionar você:
Por vezes eu sou rock, por vezes MPB.
Mas também não se preocupe seu moço, que eu tenho coração:
Às vezes sou guitarra, mas também sou violão.
E já que é assim não tenha pressa seu moço, que meu tempo é moinho:
Vez em quando estou com pressa, vez em quando vagarzinho.
Não tenha medo de mim seu moço, que meu sentimento é bicho arisco:
Às vezes sou aparição, às vezes sou sumiço.
Mas não se preocupe seu moço, que minha mente não tem problema:
Às vezes eu sou crônica, às vezes sou poema.
Só não espere de mim melodia:
Às vezes sou sussurro, às vezes gritaria.

...E posso te assustar.

sábado, 9 de junho de 2012

Sono REM



E se ele soubesse que,
toda vez que alguém me diz para ter bons sonhos,
eu sorrio e penso nele?


quarta-feira, 6 de junho de 2012

É que eu sou bicho arisco, seu moço...


 

E sinto que o perigo maior não é quando te olho nos olhos,
Mas quando me desvio deles.

Como é que eu me protejo dos teus olhos, seu moço,
Se o desejo de estar neles
É mais forte do que eu?

domingo, 3 de junho de 2012

Cardiomiopatia metafísica




- Diga, moça, o que você está sentindo?

- Pés inquietos, coração palpitante, sorriso bobo no rosto, olhar perdido.

- Hm. Olha, querida, já tenho o meu diagnóstico. Está preparada?

- Não sei, mas... Diga.

- É paixão. É das fortes.

- Oh, doutor, isso tem cura?

- Cura, não. Mas tem prognóstico.

- E qual é o prognóstico?

- Sinto dizer, querida, mas... É Ruim. Péssimo.

- Meu Deus. E agora, há algo a ser feito?

- Se entregue de vez à doença e tenha a mais feliz das mortes, querida. É o jeito.


domingo, 6 de maio de 2012

Não tem título por que não passam de frases soltas


Dormir para calar as vozes da mente.

É muito duro se dar conta de que é só mais um na multidão. De que as pessoas podem ser felizes sem você.

Talvez eu deva desacelerar. Talvez eu deva me voltar ao propósito pelo qual cheguei até aqui.

Mas a vozinha me diz que eu vou me tornar cada vez mais solitária. Pavor. Pânico.

Meu coração está em pânico.

Talvez eu deva levar as coisas menos a sério, mas... Se bem me lembro, foi a intenção no começo. Talvez decidir não levar as coisas a sério tenha sido o princípio de toda a ruína.

Construí um reinado inteiro empilhando cartas de baralho: Quanto maior eu penso que ele fica, mais frágil eu sei que se torna.

É também difícil aceitar que as pessoas são diferentes de mim. Que não pensam como eu. Que tem objetivos diferentes.

Pela primeira vez na vida, me sinto triste por saber que não há volta. Máquina do tempo, é tão preciso que te inventem!

Dormir para calar as vozes da mente.

Mas há trabalho a ser feito. Dormir não está nos planos.

Coração bate apertado no peito. Como daquela vez em que quase morri. O silêncio da casa me permite ouvi-lo.

Talvez estejam falando mal de mim. Talvez não. Talvez entendam o que se passa aqui dentro. É, definitivamente... Não.

Talvez eu deva desacelerar. Dormir para calar as vozes da mente. Eternamente.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sobre o amor, parte V




Eu sei que a gente sonha em encontrar o nosso amor de um jeito espetacular. De um jeito cinematográfico. Eu sei que a gente sonha em encontrar o nosso amor numa esquina, por acaso, e trombar com ele, sorrir para ele, vê-lo sorrir de volta e pedir seu telefone. Eu sei que a gente sonha que ele vai ligar e marcar um encontro, dizer que você é tudo que ele sonhou. A gente sonha que ele vai nos trazer flores, e bombons, e dizer coisas lindas, nos trazer um anel, que ele será romântico e nunca mais olhará para mulher nenhuma no mundo.

Mas cá para nós. Quantos relacionamentos você conhece que começaram assim? Para os que começaram assim, quantos permanecem até hoje? Quantos são ainda são felizes?

Os relacionamentos que dão certo são aqueles aonde há briga. Onde há discórdia, há também concórdia. Tudo que discorda, para prosseguir, precisa mudar. Quando se nasce um para o outro, não há o que se amoldar. Perde a graça. Os relacionamentos que dão certo são aqueles onde somos argila, não escultura. Esculturas são de fato admiráveis, mas é no processo de moldagem que a peça ganha vida.

Nota da autora: Mulheres, de uma vez por todas, aprendam que homens não são cachorrinhos adestráveis. Cai na real, mulher. Homem nenhum no mundo vai deixar de olhar mulher só por que você está do lado dele. O teu amor de verdade vai sim, olhar para outra mulher, mas não vai querer te trocar para estar com nenhuma outra no mundo. Aprenda a diferenciar.

Eu sei que a gente sonha com um amor onde tudo dá certo. Mas se há algo que eu tenha aprendido com amor, é que ele permanece apesar de tudo. Apesar das brigas, apesar dos defeitos, apesar dos erros. O amor só é perfeito por que permanece mesmo aonde tudo é imperfeito.

domingo, 29 de abril de 2012

Sobre freezers e saudades





     - O que ela está fazendo dentro da geladeira?
     - Diz ela que está curando a saudade.
     - Que estranho. Ela deve ter levado muito a sério essa coisa de "congela dor"...


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Petição (II)





Por um mundo com aparelhos que não só consertem dentes,
mas também promovam mais sorrisos.


- Deixem aqui suas assinaturas.


domingo, 15 de abril de 2012

Pois pra mim, "tchau" e "adeus" são antônimos.





Certamente, a parte mais triste de uma despedida
É que você nunca sabe quando foi a última.

Tem coisa mais dolorosa na vida do que perceber que o tchau se tornou adeus?